Autogestão empresarial: Como funciona e os principais mitos

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O homem é, por princípio, um poderoso agente provocador de mudanças no ambiente. Mas oferece, paradoxalmente, fortes resistências às mudanças de si mesmo.

 

Assim, enquanto o meio ambiente é contínua e rapidamente transformado, o homem só o é lentamente, e muito mais em aspectos circunstanciais que estruturais.

 

Mas todo gestor trabalha constantemente para encontrar estratégias que façam com que sua empresa esteja sempre em crescimento. Por isso, no ambiente de trabalho, é importante saber identificar quando surgem boas oportunidades.

 

E se você estiver atento, pode perceber que bons profissionais acabam desenvolvendo uma grande autonomia em suas funções.

 

Essa característica é muito comum em qualquer área e pode ser utilizada para otimizar o funcionamento interno do seu negócio se direcionada da maneira certa.

 

Neste post vamos mostrar por que você deve implementar uma autogestão empresarial em seu negócio e os mitos sobre ela.

 

Como funciona a autogestão empresarial?

 

A estrutura hierárquica de uma empresa pode ser necessária para garantir o bom funcionamento de diversos processos. Entretanto, em muitos momentos, ela pode se tornar burocrática e deixar de aproveitar habilidades específicas de certos funcionários que poderiam otimizar seu trabalho ou do time todo.

 

É por isso que, muitas vezes, a gestão de equipes precisa ser repensada. E a autogestão surge como uma alternativa extremamente eficiente para solucionar esses problemas.

 

A autogestão empresarial quebra um antigo paradigma, no qual as decisões, em geral, eram responsabilidades acumuladas sobre poucos indivíduos.

 

A falta de confiança no potencial de um colaborador para decidir a melhor forma de realizar suas funções diminuiu muito com o avanço da capacitação profissional de cada um.

 

Você pode saber mais detalhes sobre autogestão neste artigo: Autogestão: Guia básico para adotar na sua empresa com sucesso

Mitos sobre a autogestão

 

O que vem na sua cabeça quando ouve a palavra autogestão, gestão horizontal ou gestão distribuída?

 

Queremos desmistificar estes termos e afastar fantasmas, para que organizações que estão pensando em trilhar esse caminho possam ter mais tranquilidade em iniciar processos de transição.

 

Escolhemos aqui algumas frases que apesar de ainda serem muito ditas, estão muito longe do que acreditamos serem verdades sobre a autogestão.

 

Não existem líderes na autogestão

 

Deixamos de associar a liderança a um cargo ou função e passamos a encarar que em cada situação podem surgir diferentes líderes.

 

Essa natureza fluida da liderança para alguns pode gerar insegurança, mas ela valida o que já existe naturalmente nos grupos sociais, deixando de lado a artificialidade dos altos cargos de gestão, que presumivelmente são ocupados por líderes altamente capacitados.

 

Resumindo, na autogestão cria-se o espaço para todos liderarem e seguirem, dependendo do momento ou desafio a ser enfrentado.

 

Na autogestão as decisões são lentas

 

Aqui existe uma diferença considerável daquilo que existe no imaginário das pessoas e daquilo que praticamos e ensinamos.

 

Sabe aquelas reuniões intermináveis para se chegar a um consenso? Sabe aquelas grandes assembleias onde as pessoas votam? Então, não trabalhamos e não queremos propor nada parecido com isso.

 

As práticas de autogestão que usamos e sugerimos em workshops e trabalhos de consultoria vão no sentido oposto.

 

Primeiro acreditamos em uma gestão ágil com muitas e pequenas decisões sendo tomadas de maneira autônoma por muitas pessoas. E quando um grupo (no máximo 15) precisa decidir algo, não queremos que todos digam sim para uma proposta, mas apenas concordem que é seguro o suficiente para se tentar.

 

São práticas que delegam muita autoridade e deixam a experiência real ser o principal juiz da eficácia de uma solução.

 

 

 

Na autogestão não existem regras, métricas e estrutura

 

Quando se trabalha em uma organização hierárquica sabemos que uma regra é a mais importante e muitas vezes a única. “Faça o que seu chefe manda!”.

 

Na autogestão precisamos operar seguindo princípios e regras muito mais numerosos, e o mais importante: regras que valem para todos.

 

Estrutura e clareza de responsabilidades também são dois atributos importantes.

 

Números, sejam financeiros ou que mostrem um resultado ou eficiência de um processo, também não são abolidos. O que existe é uma resignificação e readequação das métricas que deixam de estar a serviço do “comando e controle” e começam a ajudar todos a entender uma realidade complexa e aprender sobre o impacto das decisões tomadas.

 

Uma equipe precisa ser madura antes de ser autogerida

 

A autogestão é o melhor, senão o único caminho para uma equipe amadurecer e se tornar pronta para a autogestão.

 

Continue tratando sua equipe como crianças ou adolescentes irresponsáveis que a tão falada maturidade nunca irá se efetivar.

 

Na autogestão, todos são iguais

 

Quando falamos em autogestão não estamos falando de uma utopia igualitária ou de um poder igual para todos.

 

Não estamos defendendo que todas as ideias e sugestões tem o mesmo valor ou que uma pessoa não pode ter autoridade para decidir algo que afeta a outra.

 

Reconhecemos que as pessoas possuem diferentes habilidades, experiências, paixões e níveis de resiliência em contextos específicos.

 

Defendemos uma equivalência na definição e aplicação de regras e princípios, assim como uma distribuição equilibrada e transparente de autoridade.

 

As pessoas não querem responsabilidade e autonomia

 

Talvez tenha uma gota de verdade nessa frase. Afinal, somos condicionados pela nossa sociedade e cultura a transferir boa parte das nossas responsabilidades para outras pessoas.

“Transferimos ao governo a responsabilidade de cuidar da segurança e da saúde. Transferimos aos professores e pais a responsabilidade de nos ensinar e educar. Transferimos ao chefe a responsabilidade de lidar com conflitos e gerir o nosso próprio trabalho.”

 

Porém as pessoas ainda querem autonomia e anseiam por mais liberdade para criar e trabalhar. Querem também colher os frutos do trabalho bem feito.

 

Então chegamos nessa tríade: Responsabilidade, autonomia e recompensa pelo trabalho.

 

Não podemos oferecer apenas os dois primeiros desse trio e achar que é uma oferta justa.

 

Pense nisso ao convidar pessoas para a autogestão, quando elas se sentem injustiçadas pela maneira que estão sendo recompensadas. Mesmo que para você, isso seja infundado.

 

Tudo isso ainda é muito experimental

 

Nos últimos anos muita coisa tem surgido nesse campo. Livros, frameworks, cases e práticas.

 

Muita coisa ainda vai surgir, mas não podemos negar que as organizações pioneiras iniciaram seu trabalho nas décadas de 60, 70 e 80.

 

Organizações como WL Gore e Morning Star tiveram que inovar muito ao serem pioneiras.

 

Hoje você pode aproveitar o que já foi feito e sem copiar cegamente, aproveitar padrões e práticas já estabelecidos que podem funcionar em sua organização.

 

Sempre será necessário experimentar e adaptar, mas o caminho trilhado por outros torna o processo muito mais fácil.

 

Conclusão

 

Na autogestão, compromissos entre colegas de trabalho substituem relações hierárquicas.

 

Com isso surge a oportunidade de criarmos organizações mais humanas e orientadas a um propósito.

 

Esperamos que com esse artigo alguns mitos tenham sido quebrados e as coisas tenham ficado um pouco mais claras.

 

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