Endividado. E agora?

Endividado e agora?

 

Muito comum na sociedade, o investimento em bens materiais como carros, casas, eletroeletrônicos, entre outros objetos cresce à medida que a sociedade aumenta.

Em uma sociedade que nos bombardeia o tempo todo com propagandas que induzem ao consumo na forma de bem estar, moda, o que acaba em uma sociedade de consumismo exagerado.

Um dos reflexos disso são contas atrasadas, cartões de crédito estourados, dívidas com amigos e parentes, uso constante do cheque especial, inúmeros empréstimos consignados, nome sujo na praça e cobradores ligando ou batendo à sua porta.

Se você se identifica com ao menos uma dessas situações, é bem provável que você faça parte do grupo de brasileiros endividados que não conseguem mais equilibrar suas contas.  Mas, se você não faz ideia de como chegou a esse ponto, como é possível reverter a situação?

A angústia causada por dificuldades financeiras e pelo endividamento pode levar muita gente a agir por impulso e piorar sua situação.

Pessoas fragilizadas são alvos fáceis para golpistas e podem acreditar em promessas mirabolantes, envolver a família de forma errada e transformar as dívidas em verdadeiras bolas de neve. Para voltar ao azul, é essencial trilhar as estratégias certas.

A primeira é conquistar o apoio da família na tarefa de rever os padrões de consumo. É primordial envolver a família (cônjuge, filho(a) e pais) para uma conversa e estipular novas metas para sair dessa situação.

Cumprida essa etapa, chega a hora de identificar as pequenas despesas supérfluas do dia-a-dia. Você já parou para calcular quanto gasta por mês em idas à bares, cinemas, revistas etc.

A conta pode ser surpreendente quando você começa a contabilizar tais gastos. Sendo assim deve-se acostumar à ideia de planejar suas despesas. Resistir aos apelos de consumo é parte fundamental do plano para quitar as dívidas e ter uma vida mais tranquila.

É preciso reconhecer também que o problema é real, e não basta admitir que as dívidas existem e que a situação fugiu ao controle – o que já é muito difícil para a maioria das pessoas. É preciso calcular o nível de endividamento.

É comum que o endividado sinta vergonha de sua própria realidade e prefira empurrar o problema com a barriga até o limite. E, quando resolve calcular o tamanho da dívida, acaba tomando um susto, porque em geral ela é muito maior do que ele acha.

Quem enfrenta a necessidade de rever suas finanças pessoais, deve considerar ainda que ninguém faz dívidas de um dia para o outro. Por isso, é importante ter sempre um planejamento de médio prazo para as despesas mais pesadas.

Ao invés de ceder ao impulso de comprar o bem imediatamente em várias parcelas, o consumidor deve se programar para uma compra à vista com desconto ou, ao menos, para uma aquisição com parcelas sem juros. Quanto mais fácil de comprar, alertam especialistas em economia doméstica, mais difícil de pagar.

Um dos maiores erros é tentar manter um padrão de vida superior ao que se pode bancar.

Seguem alguns erros ao tentar reverter essa situação financeira:

  • Deixar de pagar contas e impostos essenciais: água, energia, IPVA, planos de saúde etc.
  • Usar as linhas de crédito mais rápidas e fáceis oferecidas pelo banco: cheque especial e rotativo do cartão de crédito devido a estarem entre os juros mais altos do mercado.
  • Manter investimentos e bens enquanto se afunda em dívidas altas: poupanças ou renda fixa que geralmente tem rendimentos menores do que os juros cobrados pelas dívidas.
  • Pôr seus bens em risco: dependendo do montante da dívida, uma das possíveis saídas para quitá-las é vender o veículo ou terreno. O importante a ser evitado é fazer empréstimos e colocar como garantia esses bens, pois caso não consiga pagá-la acabará perdendo tais bens.
  • Arriscar o pouco que tem em um opção milagrosa: oferta de algumas financeiras de dinheiro rápido. Lembre-se que na maioria das vezes não se pede garantia e seus juros podem ser mais altos do que suas dívidas pré-existentes.
  • Pedir dinheiro a parentes, amigos e até estranhos: dependendo da relação familiar, da amizade e do valor envolvido, pedir dinheiro emprestado a parentes e amigos pode ser muito melhor do que renegociar uma dívida.
  • Mas o empréstimo entre pessoas conhecidas é geralmente desaconselhado por especialistas em finanças, uma vez que a relação de confiança pode ser fortemente abalada, junto com os laços familiares e de amizade.
  • Aceitar empregos que parecem negócios imperdíveis: Quem está desempregado, ou mesmo infeliz com o trabalho, pode acabar caindo no papo de trabalhos que prometem dinheiro fácil ou mesmo uma sociedade lucrativa mediante o pagamento de uma comissão. Cuidado!
  • Acreditar em promessas de “limpar o nome” sem pagar a dívida: Estranhos que prometem “salvar sua vida” no momento de dificuldade financeira quase sempre são golpistas. Um golpe bastante comum é a promessa de “limpar o nome” sem precisar quitar a dívida, mediante remuneração ou a compra de material que orienta sobre como fazê-lo.

 

Seguem algumas opções para tentar reverter essa situação financeira:

  • O primeiro passo seria procurar o credor e solicitar a situação exata de seu débito: Peça por escrito o débito total, o número de prestações em atraso, os acréscimos ocorridos nas prestações e a taxa de juros observada nesses cálculos. Você terá um surpresa quando vir o juros que as financeiras e bancos cobram sobre a sua dívida.
  • Procure um órgão de defesa do consumidor (PROCON) ou mesmo algum conhecido que possa ajudar a entender se aqueles cálculos estão corretos.
  • De posse destas contas procure negociar esse débito com o credor: Tente estabelecer um novo contrato com todas as condições por escrito, como juros, multa, prazo, valor da prestação etc.
  • Neste ponto há duas alternativas: A primeira é parcelar a dívida com o próprio credor; A segunda é obter um empréstimo com juros mais barato e quitar a dívida com juros maiores.
  • Caso você consiga refinanciar o total ou uma parte de suas dívidas, pague primeiro aquelas nas quais incidem juros maiores. Renegociando suas dívidas e conhecendo as formas de parcelamento, coloque essas parcelas em seu orçamento.
  • Se possível busque algum ganho adicional com um trabalho extra.
  • Não faça mais nenhum gasto desnecessário: Tenha o foco apenas nos gastos mais básicos e canalize seus esforços na economia.
  • Não tente fazer acordos com vários credores ao mesmo tempo: a não ser que suas economias permitam que você consiga quitar as dívidas à vista, ou as parcelas caibam no seu orçamento.

Exemplo de negociação com juros mais baixos é trocar o juros do cheque especial por um crédito rotativo mais baixo. Outro exemplo é negociar com sua operadora de cartão de crédito negociando assim sua dívida em parcelas fixas mensais, mas com juros muito menores do que fazendo o pagamento mínimo da fatura.

Esse passo a passo só é válido caso você ainda não esteja implicado legalmente por sua dívida. Economia começa internamente mudando sua cultura, costumes, hábitos. Seja persistente e colherá os resultados.

 

Autor Convidado

Marcelo Zache da Gestão Ativa consultoria

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