Como abrir um escritório de advocacia sozinho(A) em 4 passos!

escritório de advocacia

Você já parou para pensar que o espírito empreendedor deve fazer parte de qualquer advogado(a) que decida abrir um escritório?

 

Afinal, se empreender, em resumo, significa “colocar ideias em prática, assumindo riscos, errando e acertando até atingir grandes resultados”, ações como abrir um escritório de advocacia sozinho(a) só podem ser feitas por mentes empreendedoras!

 

Mas então por que os advogados não são vistos como empreendedores – e sequer se identificam com esse termo?

 

A resposta é simples: porque poucos operadores do Direito encaram seus escritórios como verdadeiras empresas. Em geral, nossa classe enxerga a advocacia como uma atividade fim, deixando de lado outras áreas vitais para o desenvolvimento de qualquer negócio, como marketing, gestão de fluxo de caixa, vendas e recursos humanos.

 

E com mais de um milhão de advogados no Brasil distribuindo seus cartões e esperando que os clientes apareçam, qualquer profissional que insista em fazer o mesmo irá descobrir que esse tipo de advocacia está saturada.

 

Então a “dica número zero” para você que está pensando como abrir um escritório de advocacia sozinho(a) é a seguinte: seja multidisciplinar! Enxergue a advocacia como um meio pelo qual você irá operar o seu negócio (e não como um fim) e entenda que existe uma série de outros conhecimentos relacionados ao mundo do empreendedorismo que você irá precisar desenvolver para que a sua empresa alcance o sucesso.

 

Depois de compreender isso, você estará pronto(a) para planejar seu escritório, a partir de um processo que pode ser dividido em 4 passos, detalhados abaixo.

 

Passos essenciais para abrir um escritório de advocacia sozinho

 

escritório de advocacia

1. Crie uma estrutura compatível com a sua realidade

 

Muitos advogados, ao optarem por começar um negócio próprio, já pensam logo em adotar um espaço físico impecável e imponente, onde irão recepcionar seus clientes com toda a pompa. Assim, a criação desse local superidealizado se transforma na prioridade inicial do profissional e, muitas vezes, torna-se a primeira barreira para o Empreendedorismo Jurídico.

 

Afinal, o aluguel (ou a compra) de um escritório físico requer um investimento que, especialmente para quem está começando, pode ser inviável – ainda mais levando-se em consideração outros gastos secundários, como os de decoração e de manutenção.

 

O que muitos profissionais esquecem é que hoje em dia é perfeitamente possível advogar em home office – ou seja, realizar grande parte do trabalho de casa e marcar as reuniões com clientes em locais públicos, como cafés e coworkings (ou até mesmo encontrá-los em suas casas ou em seus locais de trabalho, o que pode ser ainda mais conveniente para eles).

 

Essa alternativa permite a economia dos gastos com transporte (já que ele passará a ser esporádico) e, acima de tudo, dos custos citados para o estabelecimento e mantimento de um local físico, que pesam no bolso de quem advoga sozinho(a).

 

É claro que trabalhar de casa requer bastante disciplina, mas como ela é uma virtude que todo empreendedor deve ter, essa poderá ser uma ótima oportunidade para desenvolvê-la, se você acha que teria dificuldades para adotar esse modelo.

 

De todo modo, caso você prefira abrir um escritório físico mesmo advogando sozinho(a), não esqueça de prever todos os gastos e verifique se você terá condições de cobri-los por alguns meses após iniciar o negócio; afinal, como você sabe, os advogados em início de carreira tendem a ganhar menos do que aqueles já estabelecidos no mercado.

 

2. Conquiste sua clientela com as ações corretas de marketing

 

Como o código de ética e disciplina da OAB proíbe que os advogados façam propaganda e “mercantilizem” a advocacia no Brasil, a maioria dos profissionais da área contam apenas com indicações (ou com a distribuição de seus cartões de visita) para construir sua carteira de clientes.

 

E esse é um ponto muito importante: a OAB (felizmente!) proíbe a captação de clientes, mas você é livre para conquistá-los com ações de marketing jurídico – que vão muito além da propaganda tradicional.

 

Vou dar um exemplo: a Adriana, esposa do Roberto, decide iniciar um processo de separação e, em função disso, começa a procurar no Google por advogados especialistas em divórcios em sua cidade. Após uma rápida busca, ela encontra 3 profissionais com o perfil que deseja:

 

  1. Patrícia Silva, que está com o site está em construção e não possui perfil profissional nas redes sociais;
  2. André Gomes, cujo site não funciona no celular e cuja página no Facebook não é alimentada desde 2016;
  3. Mariza Corrêa, que possui um site claro e profissional, o qual indica ainda seu canal no YouTube, onde ela posta dicas semanais sobre processos de separação – incluindo as dúvidas que Adriana tinha sobre o tempo médio de duração do processo.

 

Sinceramente, qual dos advogados você acha que terá mais chances de fechar com a Adriana? Podemos dizer com bastante convicção que a Mariza Corrêa sairá na frente nessa competição, certo?

 

Isso porque ela investiu em duas ações importantíssimas de marketing jurídico: a construção de um bom website e a aplicação do que é conhecido como marketing de conteúdo – a distribuição de conteúdos gratuitos de interesse do público-alvo na internet, que irá ajudar você e seu escritório a se tornarem referências em sua área de atuação.

 

Está vendo como é possível conquistar clientes com boas estratégias de marketing na advocacia, sem deixar de respeitar as regras da OAB? Então anote as dicas abaixo, que você deve seguir quando abrir seu escritório de advocacia, especialmente se estiver sozinho(a):

 

  • Estudar bem o público que você quer atingir e montar um “avatar” – ou seja, uma representação de quem você pretende atrair para o seu escritório, que irá guiar sua comunicação;
  • Criar um bom website, com interface sóbria e clara, boa experiência de navegação e conteúdos escritos em uma linguagem acessível para seus clientes;
  • Produzir conteúdos relevantes sobre o seu ramo de atuação e publicá-los periodicamente em redes sociais como o Instagram e o YouTube;
  • Criar uma rede de contatos online que lhe permita alcançar novas pessoas, oferecendo-se para participar de uma “live” de perguntas e respostas em um perfil no Instagram que tenha um público semelhante ao seu, por exemplo;
  • Criar uma conta no Google Meu Negócio, para aparecer nos principais resultados de buscas locais via Google Maps (que também é exibido em vários casos quando a pesquisa é realizada diretamente no buscador);
  • E muito mais, que você pode aprender ao aprofundar seus estudos sobre Empreendedorismo Jurídico.

 

Ah! E uma observação importante sobre esse tópico: lembra da economia que você pode fazer optando por abrir seu escritório de advocacia sozinho na modalidade home office?

 

Aproveite para investi-la na construção do website com as características citadas acima; afinal, na realidade atual, ele será a verdadeira fachada do seu escritório, determinando se seus possíveis clientes irão se sentir atraídos pelo seu escritório… Ou se darão preferência para o seu concorrente, que está a um clique de distância!

 

3. Monte um bom plano de negócios para o seu escritório

 

Como comentado na “dica zero”, o advogado bem-sucedido do século XXI precisa ser multidisciplinar para gerenciar o seu negócio – e além de entender o mínimo de marketing jurídico necessário para conquistar clientes, é importante que ele também tenha um conhecimento básico de administração, já que, no final das contas, irá gerenciar uma empresa.

 

E dentre todos os conhecimentos administrativos que você precisará adquirir ao se tornar um(a) empreendedor(a) jurídico(a), saber desenvolver um bom modelo de negócios é um dos mais importantes.

 

Com ele, você poderá conhecer com muito mais profundidade a sua própria empresa, uma vez que deverá se questionar e estudar o seu mercado para conseguir montar esse plano corretamente. Isso, por sua vez, lhe permitirá traçar um planejamento mais assertivo sobre o futuro do seu escritório, para que ele não dependa da sorte para prosperar.

 

Afinal, como bem disse Sun Tzu, “aquele que não realiza planejamento algum terá chances ínfimas de vitória”.

 

É claro que você deve sempre ter em mente que o seu campo principal de conhecimento é o Direito – você não precisa passar meses estudando o assunto para traçar um plano de negócios profissional, com dezenas de páginas e formalidades acadêmicas.

 

Contudo, é bem importante que você escolha alguma das metodologias existentes para defini-lo com certa qualidade e busque incluir ao menos os pontos abaixo em seu planejamento:

 

  • Identificação do público-alvo (geral) e do avatar (personificação do seu público) ideais;
  • Mapeamento de concorrentes, incluindo os pontos fortes e fracos de cada um deles em relação ao seu escritório;
  • Definição da(s) área(s) de atuação e os serviços específicos que serão prestados;
  • Estruturação do modelo de precificação que será adotado;
  • Relação de quanto será investido no escritório e de qual é a expectativa de retorno sobre esse investimento (incluindo prazos específicos);
  • Formalização da estrutura e das estratégias de marketing que serão adotadas (passos 1 e 2 deste artigo).

 

Uma alternativa para facilitar o planejamento da empresa por parte do(a) profissional que está abrindo um escritório de advocacia sozinho(a) – afinal, vamos combinar, já são muitos os pontos a serem estudados – é substituir os planos de negócios tradicionais pelo Business Model Canvas, que expressa esse planejamento de forma visual e o resume em nove áreas:

 

  1. Proposta de valor;
  2. Segmentos de clientes;
  3. Canais;
  4. Relacionamento com clientes;
  5. Atividades-chave;
  6. Recursos principais;
  7. Parcerias principais;
  8. Fontes de receita;
  9. Custos.

 

4. Coloque (corretamente) seu planejamento em prática

 

Agora que você já planejou detalhadamente como abrir seu escritório de advocacia sozinho(a), é só esperar as coisas acontecerem e o sucesso chegar, certo? Claro que não!

 

Colocar o seu plano em prática é o grande desafio do Empreendedorismo Jurídico e, vamos combinar, a parte mais estimulante de todas, pois é quando você irá de fato atuar na profissão que escolheu seguir. Por isso, esse é o quarto passo do nosso guia.

 

Aliás, é importante saber desde já que a execução dos planos traçados para o seu escritório irá trazer uma série de desafios que você não havia previsto e, ao mesmo tempo, mostrará novas oportunidades que você não havia identificado. Por isso, será seu papel revisar constantemente seu modelo de negócios e fazer os ajustes necessários para alcançar o sucesso.

 

Nesse sentido, organização será a palavra que deverá lhe acompanhar para estruturar o ciclo “execução > análise > planejamento” que você deverá instituir em seu escritório-empresa.

 

Aqui, a tecnologia se mostra novamente uma grande aliada dos advogados empreendedores: existem diversos softwares que facilitam o dia a dia do escritório, automatizando processos, organizando dados e controlando informações importantes.

 

Com o GestãoClick, por exemplo, você poderá emitir boletos e notas fiscais para seus clientes, gerenciar seus orçamentos e vendas, controlar suas finanças (como o fluxo de caixa) e organizar suas planilhas em um só lugar, com total privacidade e segurança, além de contar com backups automáticos dos seus dados.

 

Dessa forma, você irá diminuir as rotinas operacionais administrativas que a empresa demanda e poderá focar no que realmente importa: desempenhar suas funções advocatícias com qualidade e (re)planejar constantemente as estratégias que trarão o sucesso que você espera para o seu escritório.

 

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Agora que você já sabe como abrir um escritório de advocacia sozinho(a), está na hora de seguir o passo a passo! O caminho para estruturá-lo corretamente é um pouco mais longo, mas faz parte do mindset empreendedor se preocupar menos com chegar logo e mais com chegar longe.

 

E uma dica final para você que vai optar por empreender na advocacia sem se limitar aos conhecimentos de Direito: o Treinamento de Empreendedorismo Jurídico pioneiro do Brasil possui mais de 50 horas de conteúdo para lhe qualificar em áreas como marketing, vendas, estratégia, produtividade e finanças. Não deixe de aprofundar esses seus conhecimentos ao gerenciar seu escritório!

Autor:

Rodrigo Padilha

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