A quarta revolução industrial: como continuar aprendendo na era digital?

quarta revolução industrial

Essa era, marcada por constantes avanços tecnológicos que viram o mundo corporativo de ponta cabeça, foi apelidada de Quarta Revolução Industrial por Klaus Schwab do Fórum Econômico Mundial. Nela, apenas as companhias mais ágeis e adaptáveis irão sobreviver – junto com os trabalhadores que focam na aprendizagem contínua para adquirir as habilidades necessárias para os desafios futuros.

 

Duas grandes tendências surgiram a partir dessa mudança que estão ajudando a moldar negócios nessa era digital: a velocidade na qual novas tecnologias são implementadas, e a transformação constante que essas tecnologias estão causando na economia local e global.

Em termos de velocidade de implementação, o paradigma fica ainda mais delineado. Demoraram 38 anos para que rádios alcançassem a marca de 50 milhões de usuários pelo mundo. Esse tempo foi reduzido para 13 anos no caso da televisão, 3 anos para a internet, 1 ano para o Facebook, 9 meses para o Twitter, 35 dias para Angry Birds, e 19 dias para Pokemon GO.

No entanto, engana-se quem acha que essa taxa de adoção de novas tecnologias se limita para jogos, plataformas e dispositivos. Inovações como computação móvel, serviços na nuvem e big data já estão transformando a maneira como negócios são feitos. Quando a robótica, inteligência artificial, transportes autônomos e a Internet das Coisas (IOT) forem desenvolvidas ao ponto de estarem prontas para a inserção no dia a dia, transformações ainda maiores serão iniciadas.

 

Automação e economia

 

Automação, nesse sentido, também ajudará a moldar o mundo corporativo. Em 2015, relatórios publicados pela McKinsey Global Institute Study concluiu que as tecnologias atuais conseguiriam automatizar até 45% das atividades que funcionários são pagos para realizar; de todas as ocupações profissionais possíveis, tecnologia consegue automatizar 30 por cento ou mais de todas as atividades em 60% de todas profissões.

Essas inovações tecnológicas terão um grande impacto na economia – inclusive, muitas já têm. Em seu livro de 2001, Destruição Criativa, o professor Richard Foster da universidade de Yale utilizou a teoria de Joseph Schumpeter e aplicou em companhias prestigiosas da lista das 500 maiores empresas de S&P. Ele notou que o ciclo de vida tinha diminuído dramaticamente de 90 anos em 1935 para 18 anos em 2011. Ele prevê que em 2027, o ciclo de vida médio de uma companhia listada na S&P será de 13 anos ou menos, conforme as companhias falham, se dividem, fundem, ou são compradas.

Um último fator não-tecnológico que ajudará a moldar a mão de obra do futuro é o fato que as pessoas irão viver durante muito mais tempo que no passado. Dados sugerem que os humanos – pelo menos em países desenvolvidos – têm visto um incremento anual de 3 meses em sua expectativa de vida desde 1840. Ao viver por mais tempo, nós também teremos que trabalhar mais também, até os 70 ou 80.

Quando analisadas em conjunto, essas tendências indicam que os trabalhadores já não podem esperar trabalharem em uma ou duas empresas durante toda a carreira, usando as mesmas habilidades desenvolvidas quando tinham 20 anos.

Isso significa que as instituições acadêmicas devem estar preparadas para entregarem habilidades e experiências que asseguram que os trabalhadores de amanhã permanecerão empregáveis pelo mesmo período em que estiverem trabalhando.

 

Estudantes para Sempre

 

Enquanto os trabalhadores do século 21 precisarão aperfeiçoar outras habilidades e técnicas para se manterem atuais, eles também precisarão desenvolver soft skills. Isso porque, no futuro, será preponderante que funcionários consigam desenvolver conteúdo, como também julgar a relevância ou veracidade de determinadas informações.

Mais do que um terço dos trabalhos irão demandar habilidades lógicas dos funcionários para que estes resolvam problemas complexos. Cerca de um quinto serão ocupações que demandam inteligência emocional, a habilidade de negociar e colaborar de seus trabalhadores.

Além disso, cerca de 15% dos trabalhos precisarão de habilidades cognitivas como criatividade e raciocínio matemático. De fato, criatividade se tornará uma das habilidades mais importantes na força de trabalho. Isso porque os criativos serão responsáveis por inventar novos modelos de negócio, produtos, fluxos operacionais e experiências para o consumidor.

Finalmente, a Quarta Revolução Industrial demandará vastos conhecimentos aprofundados em diversas áreas, como também habilidades facilmente transferíveis e adaptáveis. O Fórum Econômico Mundial estima que 65% dos alunos de escolas elementares trabalharão em posições que não existem atualmente. Por isso, é essencial que os trabalhadores de amanhã não tenham apenas uma variedade de habilidades, mas também entendam como adquirir novas. Eles precisam se tornar adeptos do aprendizado contínuo.

 

Aprendizagem contínua por país

 

Em alguns países, aprender de maneira constante já se tornou uma prioridade. A União Européia desenvolveu um indicador para medir a aprendizagem contínua, que define como porcentagem da população entre 25 e 64 anos que está participando em aulas e treinamentos. Em 2014, os países Europeus com os melhores resultados foram a Dinamarca (com 32% da população engajada em rotinas de aprendizagem), Suécia (28%), e Finlândia (25%).

O resultado obtido pela Dinamarca foi alto por causa da alocação de financiamento para duas semanas de treinamento certificável a cada ano para adultos – dos quais, a maioria é feita dentro do ambiente de trabalho.
Esses eternos estudantes serão os que continuarão empregáveis em economias marcadas pela transformação tecnológica, as quais terão pré-requerimentos profissionais em constante transformação.

 

Mas como indivíduos comuns conseguirão se tornar estudantes eternos? Estudos apontam 7 práticas e mindsets que ajudam a perdurar essa habilidade durante suas carreiras.

 

1. Foco em crescimento

 

De acordo com a psicóloga Carol Dweck, da universidade de Stanford, o tipo de mindset do indivíduo influencia diretamente em quanto ele aprende. Em seu livro de 2006 Mindset, ela identifica dois tipos de mentalidade: os fixos, e os que focam em crescimento.

Cada uma se diferencia no que diz respeito ao esforço despendido por cada um, quanto risco elas irão tomar, como irão absorver críticas, e se eles estarão dispostos a aprender de seus erros.
Pessoas com mentalidades fixadas acreditam que seu potencial é limitado, de acordo com sua genética, herança e origem socioeconômica. Eles podem dizer “eu não sou um bom estudante, então não farei as aulas oferecidas pela minha companhia”.

Em contraste, pessoas com mentalidade de crescimento acreditam que seu potencial é desconhecido, por causa que eles não conseguem prever o que podem alcançar quando lidam com algo focando na paixão, esforços e prática. Eles percebem desafios como oportunidades de crescimento.

 

2. Aperfeiçoadores seriais

 

Para se manterem empregáveis, trabalhadores precisam desenvolver expertise em diversas áreas através de suas carreiras. Em seu livro The Shift, a professora Lunda Gratton da London Business School argumenta que estamos presenciando a falência do generalista. Em um mundo em que todos tipos de informações conseguem ser acessadas na palma da mão, o conhecimento superficial é inútil. Trabalhadores do século 21 dependerão em seu capital intelectual para trazer valor.

 

3. Donos do próprio desenvolvimento

 

Devido ao fato de que os trabalhadores do amanhã provavelmente não permanecerão em apenas uma empresa durante suas carreiras, eles não poderão esperar que um único empregador os direcionem em seu desenvolvimento profissional. Além disso, no decorrer do século, mais e mais deles serão autônomos.

 

4. Desafio constante

 

Diversos pesquisadores, incluindo Andy Molinsky da Brandeis International Business School, sugeriram que aprender é possível apenas quando pessoas se distanciam de suas zonas de conforto para zonas em que novos conhecimentos e habilidades sejam demandadas. Depois de desenvolver proficiência nessas novas áreas, suas zonas de aprendizagem se tornam parte de sua zona de conforto – permitindo com que eles se desafiem adentrando em novas zonas.

Quando pessoas estão engajadas em atividades dentro da zona de aprendizagem, eles estão expostos a riscos e diversos níveis de estresse. Psicólogos da universidade de Harvard, Robert Yerkes e John Dodson propuseram a Lei de Yerkes-Dodson, na qual encontram uma forte relação entre o aumento de estresse e a melhora em performance – mas apenas até certo ponto. Depois, um aumento no nível de estresse pode causar ansiedade e ter um impacto negativo na performance. Por isso, é importante que pessoas expandam suas zonas de conforto com as tarefas certas, no ritmo certo.

 

5. Constroem a própria marca e redes profissionais

 

Todos criamos nossa própria marca pessoal que nos diferencia de nossos companheiros de trabalho e competidores. Elementos chave de uma marca pessoal incluem uma oferta de valor clara, história pessoal, autenticidade, expertise, consistência, visibilidade e conexões.

Em seu livro Leadership Brand, autores Dave Ulrich e Norm Smallwood descrevem cinco passos que pessoas deveriam tomar para moldar as próprias marcas: determinar os resultados que querem alcançar no próximo ano, decidir pelo que querem ser reconhecidos, definir as próprias identidades, construir e testar suas constatações, para assim consolidar suas identidades de marca.

 

6. Fazem o que eles amam

 

Como o visionário Steve Jobs já havia dito, “O seu tempo é limitado, então não gastem vivendo a vida de outro alguém… e, ainda mais importante, tenha a coragem de seguir o seu coração e intuição.”
Pessoas irão gastar 8 horas ou mais por dia no trabalho, durante mais de 40 ou 50 anos de suas carreiras.

É essencial que eles façam aquilo que eles amam, porque o trabalho tem um impacto gigantesco no bem-estar e na saúde. Em seu livro What Makes Life Worth Living?, Gordon Mathews da Universidade Chinesa de Hong Kong descreve o conceito Japonês de Ikigai, traduzido livremente para “razão de ser” ou “uma vida digna de ser vivida”. Ele engloba todos os elementos da vida, incluindo trabalho, hobbies, relacionamentos, e crenças espirituais. Mathews acredita que quando as pessoas descobrem seus Ikigais, eles encontram satisfação e a razão da vida.

 

7. Se mantém importantes

 

Finalmente, os indivíduos mais bem-sucedidos serão esses que transformam em prioridade a saúde, prestando atenção aos exercícios, nutrição, relaxamento e horas de sono. Dormir bem é muito mais importante para o aprendizado do que muitos percebem.

Além de ter um impacto gigantesco na nossa habilidade de adquirir e reter conhecimento, ele também afeta os níveis de atenção, concentração, criatividade, desenvolvimento de insights, reconhecimento de padrões, capacidade decisória, reatividade emocional, processamento sócio emocional, e a habilidade de desenvolver relações de confiança. Habilidades essas que são de suma importância para os trabalhadores do amanhã.

 

Autor:

Paulo Gregorin

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